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terça-feira, 22 de abril de 2014

" UM MENINO, CINCO PÃES E DOIS PEIXES..." -Diac.José da Cruz

SEXTA FEIRA DO TEMPO PASCAL 02/05/2014
1ª Leitura Atos 5, 24-32
Salmo 26(27)  "Uma só coisa peço ao Senhor: é Habitar a casa do Senhor."
Evangelho João 6, 1-15



Se reescrevêssemos esse evangelho na pós-modernidade, iríamos dizer que a comunidade estava em um retiro e precisava providenciar alimentação para todos, e daí alguém ligou para um comerciante católico muito rico e ele mandou um caminhão Baú com alimentação para todos e ainda sobrou um monte que foi dado às instituições assistenciais. Os grandes encontros e os grandes empreendimentos humanos requer grande quantidade para suprir a necessidade do evento. Claro que nesta versão moderna da multiplicação dos pães, deve-se louvar e agradecer a Deus por pessoas ricas, porém generosas, e são muitas, que ajudam de todas as formas nossas comunidades levando o sentido da partilha ao pé da letra. Mas a lógica do evangelho, fundamentada na Eucaristia não é essa. Os pobres são bem aventurados justamente porque eles também têm algo a dar para o Reino, ainda que seja pouco e até insignificante, como os cinco pães e dois peixinhos do evangelho.
João relata algo diferente, uma grande multidão com fome, os organizadores do encontro preocupadíssimos com o lanche, e de repente um menino cede o seu lanche ( tenho minhas dúvidas, não sei se o menino cedeu ou se um dos discípulos o "requisitou") , o fato é, que era uma quantidade irrisória perto da necessidade da multidão. Voltemos ao menino anônimo para uma observação importante, digamos que ele não queria ceder, não porque fosse egoísta, mas porque sabia que o seu pouquinho não iria resolver a situação. Eis aí o grande problema de se viver em comunidade, quem não acredita no pouco é porque não confia em Deus e prefere a lógica do mundo onde, só quem tem muito pode e deve dar alguma coisa.
Lembro-me de minha primeira comunidade em um Bairro pobre, lá pelos idos de 70, quando era ministro da Palavra itinerante. Uma semana antes o padre me apresentou á comunidade em uma Festa do Padroeiro e tinha gente que não acabava mais, a capelinha parecia caixa de fósforo, perto da multidão que estava na quermesse, a missa teve de ser campal....Esfreguei as mãos de contentamento.....
No domingo seguinte, faltando dez minutos para as 17 horas lá estava, eu e mais 4 pessoas... a espera do início da celebração. Deu-me um desânimo tão grande que quase desisti. Daí chegou mais duas pessoas, uma delas a Dona Maria, uma Senhora Negra, bem simplinha e pobrezinha, mas a quem devo a minha perseverança naquela comunidade. Começamos a celebração e o vento apagou as velas do altar, foram três ou quatro vezes e em todas elas a Dona Maria pacientemente, e com um leve sorriso nos lábios, levantava, saia do seu lugarzinho e vinha acender as velas....
No final da celebração ela disse que naquela semana iria de casa em casa convidar as pessoas a vir participar da celebração no domingo seguinte. Fiquei depois sabendo que ela era analfabeta e que tinha um filho alcoólatra de quem levava uma surra de vez em quando. O que poderia se esperar de uma mulher com esse perfil, em uma comunidade pobre de um bairro distante? Nada ou quase nada, nos diz o espírito capitalista, de fato ela não tinha nada a oferecer, tinha sim, mas um pouquinho só....cinco pães e dois peixinhos....Para encurtar a história, Dona Maria foi quem incendiou a comunidade com seu testemunho autêntico, com seu cristianismo devocional, que mulher de garra e de fibra que eu tive o prazer de tê-la como irmã de caminhada!
Hoje é uma grande comunidade com uma linda igreja no meio do Bairro, sempre lotada e bem participada, mas naqueles primeiros tempos, somente a Dona Maria teve coragem de profetizar "Olha minha gente, um dia seremos uma grande igreja aqui no Bairro, pois a comunidade está começando hoje...". E de fato começou com aquele gesto marcado pela simplicidade, de acender as velas do altar e de convidar as pessoas para a celebração. Naquele momento o seu gesto talvez foi visto como uma ingenuidade, entretanto ali tudo começou a acontecer naquele comunidade.
Jesus ergueu os olhos para o céu e abençoou o lanchinho que o menino ofereceu como também abençoou a atitude da Dona Maria... e a fome de cinco mil pessoas foi saciada e ainda sobrou...Eis o grande milagre da Eucaristia...em comunhão com Jesus damos o nosso pouquinho, aquele carisma que parece não ser tão importante, ofereça-o á comunidade, e ajude Jesus a fazer o grande milagre que mata a fome do povo, sem precisar de um Patrocinador que banque tudo.
Não tenhamos preconceito como nosso "pouquinho", pois sem ele não tem como Deus fazer o milagre....



Um comentário:

  1. Gostei do testemunho e do desânimo frente as poucas pessoas na Celebração. " Dona Maria" esse anjo de Deus, aparece em muitas situações em que, queremos desistir. Também como pregador e ministro da palavra, muitas vezes, no início da caminhada, pensava em desistir, mas sempre surgia uma "Dona Maria", uma palavra de Deus que me empurrava para frente. Hoje, além do ministério da palavra coordeno a Pastoral da Visitação e Benção da minha paróquia, levando consolo a muitas famílias.

    Waldomiro Veiga Miguel
    Balneário Camboriú-SC

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