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segunda-feira, 24 de março de 2014

O cego foi, lavou-se e voltou enxergando - Claretianos

Domingo, 30 de março de 2014
4º Domingo da Quaresma
Santos do Dia: Plínio de Pontecorvo (abade), Domnino, Vítor e Companheiros (mártires de Tessalônica), Fergo de Downpatrick (bispo), João Clímaco (abade), João de Puits (eremita em Kibistra), Leonardo Murialdo (presbítero), Mamertino de Auxerre (abade), Osburga de Canuta (abadessa, virgem), Pacífico de Werden (monge, bispo), Pastor de Orléans (bispo), Quirino (mártir de Roma, na Via Ápia), Régulo de Senlis (bispo), Régulo da Escócia (abade), Zózimo de Siracusa (bispo).
Primeira leitura: Samuel 16,1b.6-7.10-13a
Davi é ungido rei de Israel
Salmo responsorial: Salmo 22(23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma
Segunda leitura: Efésios 5,8-14
Levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá
Evangelho: João 9,1-41
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando
Desde muito tempo o povo de Deus se propôs um grande problema: como saber quem é o enviado de Deus? Muitos apareciam fazendo alarde de suas habilidades físicas, de sua astúcia, de sua sabedoria, inclusive, de sua profunda religiosidade, porém era muito difícil saber quem procedia de acordo com a vontade de Deus e quem queria ser líder unicamente para obter o poder.
Nessa época de Samuel, a situação era realmente complicada. O profeta, movido pelo Espírito de Deus, buscou um líder que tirasse o povo do atoleiro de uma crise interna das instituições tribais e da ameaça dos filisteus. Surgiu Saul, um rapaz distinto, de boa família e de extraordinária compleição física. A maioria do hebreus o apoiaram de imediato, esperando que o novo rei conseguisse controlar o avanço dos filisteus.
Contudo, o novo rei, em pouco tempo, se converteu em um tirano insuportável que agravou o conflito interno e que por suas constantes mudanças de comportamento, comprometeu seriamente a segurança das terras cultivadas. Samuel, então, pensou que a solução era ungir um novo rei, uma pessoa que poderia tomar conta da situação.
A unção profética se converteu, naquele momento, no meio pelo qual se legitimava a ação de um novo líder salvador do povo. Séculos mais tarde, os profetas se deram conta de que não bastava mudar o rei para mudar a situação, mas que era necessário buscar um sistema social que representasse os ideais tribais, o que logo se chamou “o direito divino”. Contudo, subsistiu a idéia de que o líder salvador tinha que ser designado por um profeta reconhecido. Deste modo, a unção dos reis de Israel passou a ser um símbolo de esperança em um futuro melhor, mais de acordo com os planos de Deus.
Na época do Novo Testamento, o povo de Deus que habitava na Palestina enfrentou um grande desafio: como reconhecer Jesus como ungido do Senhor? Aquele Jesus havia conhecido João Batista e, em seguida, havia retomado sua pregação, mesmo assim pairava sobre ele a dúvida, devido à sua origem humilde, à maneira tão diferente de interpretar a lei e sua vinculação com o templo e seus rituais.
Muitos se opunham em reconhecer que ele era um profeta ungido pelo Senhor, movidos simplesmente por preconceitos culturais e sociais. A comunidade cristã teve que abrir caminho em meio a esses obstáculos e proclamar a legitimidade da missão de Jesus. Somente quem conhecesse a obra do Nazareno, seu profundo amor à vida, sua dedicação aos pobres, sua pregação do reinado de Deus, podia reconhecer que ele era o “ungido”, o “Messias” (como se diz em hebraico), ou o “Cristo” (em grego).
Os sinais e prodígios que Jesus realizou no meio do povo pobre causaram grande impacto e, por isso, foram motivo de controvérsia. Os opositores do cristianismo viam nas curas que Jesus realizava simplesmente o trabalho de um curandeiro. Seus discípulos, pelo contrário, compreendiam todo seu valor libertador e salvador. Pois, não se tratava somente de colocar remédio às limitações humanas, mas de devolver-lhe toda a dignidade de ser humano. A pessoa que recuperava a visão podia descobrir que seu problema não era um castigo de Deus pelos pecados de seus antepassados, nem uma terrível prova do destino.
A pessoa curada passava do desespero à fé e descobria em Jesus o profeta, ao ungido do Senhor. Sua limitação física, se convertia em uma terrível marca de exclusão social e religiosa. Porém, o problema não era sua limitação visual e sim a terrível carga de desprezo que a cultura lhe havia imposto. Jesus o liberta do terrível peso da marginalização social e o conduz a uma comunidade onde é aceito pelo que é, sem se importar com as etiquetas que os preconceitos sociais lhe haviam imposto.
No evangelho, o relato é um drama entre os vizinhos do cego, os fariseus (piedosos e cumpridores da lei) e os “judeus” em geral, uma expressão genérica com a qual o evangelista designa as altas autoridades religiosas da época de Jesus. Até os pais do cego são envolvidos no drama.
Trata-se de um verdadeiro “drama teológico”, simbólico, de uma grande beleza literária. De modo algum se trata de uma narrativa jornalística de fatos históricos, ou de um relato ingênuo de uma sucessão de coisas. Não esqueçamos que o evangelho de João se move sempre em um alto nível de sofisticação, de recurso simbólico e insinuação indireta.
Temos ainda que dizer uma palavra sobre a homilia: convém não “contar” as coisas como quem conta fatos históricos, como se estivesse entretendo crianças. Os ouvintes são adultos e agradecem quando tratados como tais, sem abuso. O pregador não deve pensar que “tudo cola nesse ambiente” ou dizer qualquer coisa pelo fato de estar diante de um auditório que, por respeito, não levanta a mão e nem vai contradizer.
No “drama teológico” de João, o cego se converte em centro da narrativa. Todos se perguntam como é possível que um cego de nascimento seja agora capaz de ver. Suspeitam que algo grande tenha acontecido; perguntam pela pessoa que havia feito o cego ver, porém não chegam a crer que Jesus seja a causa da luz dos olhos do cego. Um simples homem como Jesus não lhes parece capaz de operar tais maravilhas.
Menos ainda pelo acontecido ter se realizado em dia de sábado, dia sagrado de descanso que os fariseus se empenham em guardar de maneira escrupulosa. E menos ainda sendo o cego um pobre que pedia esmola na entrada de uma das portas da cidade. Todos interrogam o pobre cego que agora vê: os vizinhos, os fariseus, os chefes do templo. Jesus se encontra com ele, solidariamente, ao saber que o haviam expulsado da sinagoga.
E neste novo encontro com Jesus o cego chega a “ver plenamente”, a “ver”, não somente a luz, mas a “glória” de Deus, reconhecendo nele o enviado definitivo de Deus, o Filho do homem escatológico, o Senhor digno de ser adorado… É a mensagem que João quer transmitir, narrando um drama teológico, como é seu estilo, e não afirmando proposições abstratas, como teria acontecido se tivesse tido uma formação filosófica grega.
No final do texto, as palavras que João coloca nos lábios de Jesus fazem eclodir a mensagem teológica do drama: Jesus é um juízo, é o juízo do mundo, que vem revirar o mundo: os que viam não vêem e os que não vêem conseguem ver. E que é o preciso ver? A Jesus. Ele é a luz que ilumina.
Não é necessário acrescentar nem metafísica e nem ontologia gregas ao drama… É uma linguagem de “confissão de fé”. A comunidade de João está “entusiasmada”, cheia de gozo e de amor, possuída realmente por ter descoberto Jesus. Sente que ele muda a concepção de mundo, consegue ver as coisas de uma forma diferente agora, e que é ele a manifestação de Deus de forma patente. E assim o confessa. Não precisa mais nada. A ontologia dos século subsequentes é cultural, ocidental, grega, por isso, sobra.
Que significa hoje para nós? A mesma coisa, só que a vinte séculos de distância. Com mais perspectiva, com mais sentido crítico, com mais consciência da relatividade (não digamos “relativismo”) de nossas afirmações, sem fanatismos nem exclusivismos, sabendo que a mesma manifestação de Deus se deu em tantos outros lugares, em tantas outras religiões, através de tantos outros mediadores. Porém, com a mesma alegria, o mesmo amor e a mesma convicção.
Oração: Senhor, tu que nos abres os olhos para que descubramos a beleza da criação e a grandeza do teu amor, ajuda-nos a colaborar contigo para que todas as pessoas possam alegrar-se ao ver a tua luz. Isto te pedimos por Jesus Cristo, filho teu e irmão nosso. Amém.


Um comentário:

  1. NA PAZ, peço se possível, reflexão tb das leituras para entendermos melhor cada uma delas e expressarmos mais convictos quando fizermos a PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA.

    Gratos,

    LEITORES

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